Alessandro and Jacqueline

In the year 2008, the couple of Zhang Yanjun and Xiao Linjie saw the documentary film RIO when taking documentary film Cultural Charm in Blumenau, which is a documentary film reflecting the German who started their families in Brazil. Due to their interest in this film and its subject, the couple of Zhang Yanjun and Xiao Linjie began to contact the author, the couple of Alessandro and Jacqueline. They have been in contact through E-mail. In January, 2013, the two families agreed to meet for the first time in Blumenau. In April, they agreed to meet again in St. Paul.

Jacqueline Bürger:

Olá eu sou Jacqueline Bürger, nascida no Rio de Janeiro, sou brasileira, produzo filmes.

Sou casada com Alessandro Mafra, também produtor de filmes e temos uma filha de cinco anos chamada Manuella.

Nós moramos em Blumenau.

Em 1998, eu e o Alessandro montamos uma empresa chamada JecLac Studio, que produz filmes.

Atualmente estamos mais focados na produção de documentários.

Blumenau é uma típica cidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, localizada no sul do Brasil.

Blumenau é uma cidade que mantém viva as tradições germânicas, pois foi colonizada por alemães. Precisamente por Dr. Hermann Otto Blumenau em 1850, quando chegou lá com 17 imigrantes alemães.

De lá para cá Blumenau cresceu muito.

A colônia Blumenau foi desmembrada e originou 38 municípios. A cidade de Blumenau atualmente possui cerca de 350.000 habitantes e consegue preservar viva ainda a cultura germânica em nossa cidade.

Em 2001, fomos convidados eu e meu esposo a produzirmos um documentário, pela RBSTV emissora afiliada da Rede Globo em Santa Catarina. Este documentário foi veiculado na televisão em todo o estado de Santa Catarina, seu título é Raízes de Blumenau.

A produção deste documentário foi bem atípica e diferente do que a gente está acostumado a fazer. Porque geralmente quando produzimos um documentário levamos de 6 meses a 1 ano documentando, pesquisando, registrando as imagens e depois fazemos a montagem e o documentário fica pronto.

Este o Raízes de Blumenau foi bem diferente, nós levamos apenas 30 dias para concluir o projeto do início ao fim. Porque a emissora que nos contratou a RBSTV afiliada da Rede Globo em Santa Catarina, ela tinha urgência de colocar esta programação no ar.

Então nós inicialmente montamos uma equipe de 5 pessoas, eu, o Alessandro meu esposo, Miguel nosso produtor, a apresnetadora Ana Paula Ruschel e mais um produtor amigo nosso Andreas Peter. Nós nos reunimos por sete dias, o dia todo. Levantamos todos as informações, documentos, pesquisa de livros e periódicos, fomos ao arquivo histórico da cidade de Blumenau. Então nestes 7 dias fomos buscando a história, buscando a informação e começamos a construir o roteiro.

Nós fizemos uma linha do tempo, e íamos acrescentando as informações.

Descobrimos no meio das informações algumas peculiaridades, quando vocês assistirem o documentário vão poder observar como por exemplo a história da rua Quinze de novembro, ela foi aberta porque tinha uma vaca que fugiu e precisaram abrir uma picada no meio do mato para encontrá-la. Essa picada acabou se tornando uma rua e hoje é a principal rua do centro da cidade de Blumenau. Então algumas peculiaridades como esta a gente foi buscando para dar uma quebra no filme, não deixar ele muito sério com a parte histórica e captação de imagens.

E foi isso que acabou dando um diferencial para o filme. Uma linguagem diferenciada para o documentário.

Então em 7 dias fizemos toda a pesquisa, levantamos toda a documentação e a história e escrevemos o roteiro. Assim que o roteiro ficou pronto, nós encaminhamos para uma historiadora de Blumenau, a professora Suely Petry, para ela checar se todas as informações estavam corretas. Porque quando nós documentamos a história, precisamos ter esta preocupação, para garantir que a história será contada de forma certa. Ela analisou, aprovou a história, estava tudo coerente ela nos deu o seu aval.

A partir deste ponto nós separamos o roteiro por blocos.

Dentro de cada bloco nós definimos que deveria ter cenas dramatizadas com atores em cenários, para ilustrar alguma parte da história que a gente queria contar, momentos que entravam fotos históricas, fotos de época, momentos que a gente inseriu depoimentos de pessoas que contavam para a gente determinadas partes da história e a outra parte que deu esta linguagem diferenciada que eram feitas animações. Após isso já tinham se passado 10 dias e só nos restava mais 20 dias para produzir tudo.

Neste período montamos uma equipe de filmagem que ficou no Brasil, coletando depoimentos e fazendo imagens em Blumenau, outra equipe que fazia parte eu, o Alessandro, nosso produtor e a apresnetadora que fomos para Alemanha fazer imagens lá, uma outra equipe que ficou responsável pelas animações e uma última equipe que ficou dando um suporte na pesquisa e buscou no arquivo histórico de Blumenau, todas as fotos e documentos para a gente poder fazer a montagem tanto da parte histórica quanto das animações.

Mas correu tudo bem, deu tudo certo, foi muito legal!

Inclusive a televisão utilizou diversas imagens que nós fizemos na Alemanha para ilustrar matérias jornalísticas sobre o nosso filme enquanto nós ainda estávamos na Alemanha.

Assim que nós voltamos para o Brasil, uma boa parte das imagens da Alemanha já estava editada, o material produzido no Brasil já estava pré editada, então eu sentei no computador para fazer a montagem final, porque eu além de diretora e produtora eu faça primeira montagem dos nossos filmes. Logo após isso, o Alessandro pegou todas as peças que já estavam editadas, as locuções e fez a montagem final. Como última etapa mandamos para sonorização para serem colocadas as trilhas e feitos sonoros e então o documentário estava pronto para ser entregue para emissora de televisão.

Na época em 2001, o fime foi todo feito em digital, pois ainda não tinha FullHD, mas nosso equipamento era de ponta, de última geração. E usamos alguns maquinários que trouxeram um diferencial na linguagem do documentário, como traveling, grua, procuramos fazer alguns enquadramentos que valorizassem bastante as imagens e trouxessem um diferencial no projeto como um todo.

Um grande desafio nosso neste filme, era que ele fosse acessível a todas as faixas etárias, crianças, jovens, adultos, idosos. E como fazer isso com um filme?

Nós tivemos a seguinte ideia, para cada tema abordado, vamos criar um tipo de linguagem.

Quando abordarmos a história de Blumenau, trabalhamos com fotos e documentos históricos, Quando falarmos de vivência de pessoas, de experiências vividas, nós iríamos usar depoimentos e relatos das próprias pessoas ou de histórias que ouviram de seus familiares.

Já as peculiaridades da cidade, como por exemplo uma nuvem de gafanhotos que devastou as lavouras, ou a passagem do zeppelin por Blumenau, ou até mesmo o primeiro voo de avião feito por um blumenauenese, nós usaríamos animação.

E para as cenas que não cabiam apresentadora, nem animação, nem fotos, fizemos dramatizações com atores.

Eu acredito que esta linguagem foi bem acertiva, pois até hoje, todos que assistem este filme, acham ele muito didático, conseguem compreender a história de Blumenau e também acham que o filme ficou bastante atrativo.

Fazer este documentário foi um grande desafio, pois tivemos 30 dias para fazer a pesquisa, roteiro, imagens no Brasil e na Alemanha, produzir uma série de animações e algumas cenas dramatizadas com atores.

Foi um desafio, mas foi um grande prazer. Pois através deste trabalho, nós conseguimos conhecer um pouco mais sobre a cidade que nós moramos e que nós vivemos.
Blumenau é uma cidade muito rica culturalmente, pois preserva na sua essência a cultura germânica de seus colonizadores, de seus imigrantes alemães.
São mais de 50 grupos folclóricos na nossa cidade, bandas e bandinhas que tocam músicas alemãs e todos os anos em outubro alegram o Brasil com a Oktoberfest, sediada a mais de 30 anos na nossa cidade.

Blumenau é também um grande polo de software e têxtil e está em grande desenvolvimento e expansão economica.

Gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer o convite de nós irmos até Pequim na China, apresentar nosso filme Raízes de Blumenau. É uma grande honra e um enorme prazer, fazer parte deste intercâmbio cultural.

Muito obrigada!